FAQs

O que é para que serve o Inventário Florestal?

 

O conhecimento das características qualitativas e quantitativas de um povoamento florestal é de fundamental importância para avaliar a produção e obter informações que permitam a melhor utilização das florestas. Este conhecimento é possível por meio de algum tipo de inventário florestal, onde se utilizam dados de parte da população (amostra do povoamento), para gerar estimativas para a população. Ao utilizar a amostra, resulta em um erro de amostragem. Este erro depende do tamanho da amostra e do método de amostragem utilizado, por exemplo, em áreas mais heterogêneas o uso de algum procedimento de amostragem estratificada resulta em maior precisão da média da população, quando comparada à amostragem casual simples. De fato, um bom método de amostragem é aquele que permite gerar estimativas precisas e livres de tendência, com um baixo custo. 

Vários métodos de amostragem e técnicas de estimação já foram desenvolvidos. Pode-se, portanto escolher um método ou combinação de métodos que permita obter as estimativas da população em nível desejado de precisão e a um mínimo custo. Contudo, na maioria das vezes a amostragem casual, simples ou estratificada, permitido obter estimativas precisas do volume e da massa de madeira por hectare. Cabe lembrar, ainda, que em alguns casos, como nos inventários de pré-corte, a amostragem sistemática é indicada. 

Uma árvore, sob o ponto de vista dendrométrico, apresenta diversas características ou variáveis que a identifica e que têm, portanto, um interesse particular. Dentre essas características, inclui-se, entre outras, a idade, o diâmetro a 1,30 m do terreno (dap), o diâmetro em qualquer altura no tronco (d), a altura da árvore (H), a área da seção na altura medida (g), o volume da árvore (V) e a massa do tronco (W) ou das partes da árvore. 

O volume de uma parcela de inventário é obtido ao aplicar a equação volumétrica às árvores inseridas na mesma. Usualmente, as estimativas volumétricas obtidas por parcela são extrapoladas para hectare. Para isto, é necessário conhecer as variáveis dap e Ht. Ocorre que não tem muito sentido medir a altura de todas as árvores das parcelas de inventário. Assim, novamente utiliza-se um valor estimado, agora para a altura. Para isto pode-se empregar uma equação de altura, sendo indicado o modelo , sendo Hd a altura dominante média da parcela. Este modelo foi proposto por Campos (1982) e se aplica para processamento de um conjunto de dados de inventário florestal obtido em uma mesma idade. 

Se existirem diversas parcelas com várias idades, oriundas de um inventário florestal contínuo, então um modelo do tipo , em que S é o índice de local da parcela e I é a idade da árvore, pode ser utilizado. No primeiro caso, cerca de 10 a 15 árvores devem ser mensuradas (dap e Ht) em cada parcela, no segundo pode-se mensurar um número menor de árvores (entre 5 e 10 árvores), de modo representativo. Este modelo deve ser utilizado com um cuidado especial no caso de povoamentos submetidos a desbaste, pois a inclusão da variável idade nesse caso pode resultar em inconsistência ao estimar Ht para idades muito avançadas. Finalmente, dispondo-se das equações de volume e de altura, as parcelas podem ser totalizadas, conhecendo-se apenas os diâmetros das árvores nelas contidas. Obtido o volume de um conjunto de parcelas de inventário, pode-se estimar o volume médio por unidade de área, sendo este um dos objetivos do inventário. 


Qual a definição e importância da DAP?

 

Por ser impossível medir vários diâmetros ao longo do fuste de uma árvore, a medida mais utilizada refere-se ao diâmetro com casca à altura do peito, denominado DAP que é realizada na altura de 1.30 metros.

                Existem quatro razões para que o dap seja de grande importância:

  • É uma medida de fácil de ser avaliada quando comparada com outras características das  árvores, são medidas mais confiáveis , ou seja, os erros de medição e suas causas são reconhecidos e podem ser limitados a um valor mínimo  pela utilização de instrumentos apropriados, pela utilização de métodos de medição adequados e pelos cuidados nas tomadas das medidas
  •  É uma medida que fornece a base pra muitos outros cálculos. Serve para a obtenção da área seccional à altura do peito (g), medida importante no calculo do volume das arvores e de povoamentos. 
  • Banco de dados para construção das classe de dap definindo a distribuição diamétrica da floresta, a qual é essencial para a definição do estoque de crescimento e para analise de decisões econômicas e silviculturais.
  • Pode-se calcular a área basal do povoamento, pelo somatório das áreas seccionais das árvores. 

Quais as definições de altura são utilizadas no Inventário Florestal?

 

  •  Altura total: é a distancia entre o solo e o final da copa da árvore. É utilizada para estimar o volume do fuste em equações de volume;
  •  Altura da copa: é a distancia entre o inicio e o final da copa da árvore. O inicio da copa normalmente é definido pela inserção do primeiro galho vivo. É utilizada para a definição da intensidade da desrama em árvores destinadas à produção de madeira serrada;
  •  Altura comercial: é a distancia entre algum ponto na parte inferior do fuste e um diâmetro comercial, definido por determinado uso, ou a distancia entre algum ponto na parte inferior do fuste e algum defeito no fuste da árvore;
  • Altura do fuste: é a distancia entre o solo e o começo da copa da arvore. Pode coincidir com a altura comercial.

Quais são os principais modelos volumétricos utilizados em inventario florestal e mensuração florestal?

 

Os principais modelos são: Schumacher e Hall; Spurr; Leite, Guimarães e Campos; Husch; Koperzky e Gehrhardt; Hehenald e Kreen e Brenac. Porém, o modelo de Schumacher e Hall têm sido o mais difundido por suas estatísticas, pois resulta na maioria das vezes em estimativas não tendenciosas. Já o modelo de Spurr também difundido, se deve ao fato da facilidade de ajustamento, porém freqüentemente volumes de árvores menores são estimados com imprecisão. E o modelo de Leite et al.  Engloba as propriedades estatísticas do modelo de Schumacher e Hall mais as propriedades de estimar com uma só equação os volumes total e comercial, com ou sem casca. 


O que são e para que servem as curvas de índices de local?

 

Curvas de índices de local são construídas a partir de equações de índices de local e utilizadas para classificar, de modo quantitativo, a capacidade produtiva do lugar. Essas equações são derivadas de relações funcionais envolvendo a variável dependente altura dominante média e a variável independente idade.

A classificação por índices de local é um método pratico e consistente para avaliar a qualidade do local. Tem como vantagens ser um modo interativo no crescimento em altura, a qual também esta relacionada com o volume além da altura das árvores mais dominantes quase não ser afetada pela competição. Outra vantagem é que a capacidade produtiva do local é expressa em termos quantitativos. Tem como desvantagem não ter aplicação em áreas sem arvores da espécie a ser cultivada e, também, em áreas com espécies folhosas nativas, pelo desconhecimento da idade. 


Qual o modelo de crescimento e produção do tipo povoamento total mais difundido nas empresas florestais brasileiras até o momento? E quais as suas características?

É o modelo de Clutter (1963), neste modelo a produção é expressa em função das idades atual e futura, do índice do local na idade atual e das densidades atual e futura.  É um modelo do tipo povoamento total porque a variável estimada é o volume por unidade de área, independente da classe de tamanho da árvore. É do tipo variável densidade variável por permitir estimar a produção em diferentes níveis de área basal inicial. É um modelo consistente porque a produção pode ser projetada de ano em ano ou em intervalos irregulares, além da produção em área basal para uma mesma idade ter valores iguais aos valores observados. 


Quais os principais métodos de amostragem empregados em Inventários Florestais e quais são os mais utilizados?

 

Os métodos empregados em inventários florestais são:

  • Amostragem casual simples;
  • Amostragem casual estratificada;
  • Amostragem sistemática.

                Os métodos de amostragem em inventario florestal são baseados geralmente no principio da amostragem casual. No entanto, em circunstancias em que o seu emprego se torna difícil ou oneroso, alguma forma de amostragem sistemática é usada. 


O que é o Manejo Florestal?

 

O manejo é o gerenciamento dos recursos florestais, desenvolvendo e aplicando métodos quantitativos e conhecimentos ecofisiológicos  que visam gerar produtos, serviços, e benefícios diretos e indiretos, garantindo sustentabilidade econômica, social e ambiental a partir de uma floresta. 

 

Referências Bibliográficas:

 

CAMPOS, J. C. C.; LEITE, H. G. Mensuração Florestal: perguntas e respostas. Viçosa: Editora UFV, 2009. 542 p. 

SOARES, C.B.S.; PAULA NETO. F.; SOUZA, A.L. Dendrometria e inventário florestal. Viçosa: Editora UFV. 2006. 276 p.